Estava deitada em minha cama, pensando em várias coisas ao
mesmo tempo, quando de repente ouço um barulho vindo ao longe. Fico ouvindo
aquilo, admirando aqueles sons, e quando finalmente tomo coragem para abrir a
janela e ver a causa dos tais barulhos, percebo que está chovendo. E no exato
momento em que ponho minha cabeça para o lado de fora da janela, sou
contemplada por um pequeno facho de luz que surgiu do nada e logo se apagou.
Não acreditei no que acabara de acontecer. A paisagem em si
não é tão bela (para dizer a verdade, é horrível), o céu não estava perfeito a
outros olhos, mas aos meus, foi uma combinação grandiosa de um cinza chumbo,
acrescentado ao barulho dos pingos de chuva em minha janela.
A sensação de olhar para um céu chuvoso é a mesma de estar
olhando para o céu azul. É fascinante ver como aquelas nuvens em um tom pesado
se complementam com o cenário de casas simples e um chão escuro. Coisas que não
são percebidas por alguns seres humanos. Somente aqueles que carregam o dom da
paixão, o dom de ser observador, conseguem entender e interpretar aquela ideia
de “feio-bonito”. Mas a melhor parte é
ver os pingos de chuva no vidro, depois de um chuvisco. Eles ficam ali, para
serem secos pelo vento, em um ciclo que se repete continuamente.
Eh.. Às vezes as maiores belezas estão nas coisas mais
simples da vida, como em um dia de chuva. Mas será que sabemos apreciar tudo
aquilo que nos contempla? Nunca se sabe ao certo.
Renata de Aquino
Medeiros dos Santos.

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